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Posts Tagged ‘crítica’

Como Riobaldo, do livro Grande Sertão: Veredas vivia dizendo, viver é negócio muito perigoso. Não posso concordar mais com ele vendo essas tragédias que estão acontecendo atualmente, em especial no Rio de Janeiro. Mas, não entenda que o perigo está em viver numa região sujeita a esse tipo de coisa e sim estarmos à mercê de um governo que já sabia disso há quase 3 anos e nada fez para reverter esse quadro.

Sim! Os caras encomendaram um estudo da região, custearam isso e os resultados obtidos demonstraram que, SIM!, é necessário intervenção porque pode haver uma catástrofe aí. Quanta neglicência…
Até o momento, o saldo, ou melhor, o débito do governo é de mais de 500 mortos. Pergunto-me se existe algum peso na consciência dos senhores que resolveram “deixar isso pra lá”.

Só pra efeito de comparação, o Japão é o país mais ingrato pra se viver. Tudo acontece lá: maremoto, tufão, enchente, terremoto… Mas uma tragédia que acontece em um ano, não acontece no outro. Por quê? Excelente pergunta: por que há investimento em tecnologia de prevenção!!! Mas isso não é óbvio?!? Não para o governo que decidiu REDUZIR (!) em 18% a verba destinada para prevenção de desastres*.

Resta-nos a esperança (ou não) de que algo será feito a partir de agora a fim de reverter esse quadro e evitar que o mesmo aconteça também em outras regiões. E tentar enxergar as coisas como Riobaldo de Guimarães Rosa:

O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão mudando

Só espero que as mudanças sejam pra melhor!

 

*Umas das fontes: http://www.advivo.com.br/blog/antonio-ateu/enchentes-a-culpa-e-de-quem

 

 

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Ok! Terminei a leitura do livro. Livro legal, bom de ler, tem um ritmo bem desenvolvido, não fica preso a (muitas) chatices e diálogos desnecessários. Tudo bem que a cada capítulo o autor Irvin Yalom resolve descrever a culinária que os personagens iam comer, mas passa.
Breve resumo: O doutor Josef Breuer é um médico que clinica na cidade de Viena e ficou famoso por tratar uma paciente, que havia suspeita de histeria, através de uma abordagem psicanalítica. Detalhe: a psicanálise não existia ainda. Freud (o cara que vai conceber e dar o acabamento ao termo Psicanálise) é amigo desse doutor, com quem compartilha as ideias, dá sugestões e por aí vai. Do nada, surge uma mulher lindíssima, a Lou Salomé. Ela pede auxílio a esse doutor para curar um amigo de uma doença: desespero. Adivinhem quem era o amiguinho de Lou? Sim, Friedrich Nietzsche. Bem, daí todo mundo já imagina o que vai acontecer, né? O cara vai lá, vai contornando até chegar ao ponto principal, onde o filósofo se abre com o médico e é “curado” dessa doença.
Conheço um pouco da biografia dele, mas do pouco que sei, tenho ciência de que o cara sofreu quase que a vida inteira. Segundo Yalom, os dados médicos coletados sugerem que ele sofria de enxaquecas e mais umas outras coisas. De qualquer forma, uma pessoa que tem desestabilidade familiar, sofre de doenças durante uma vida, não se adapta a quase clima nenhum é, pra falar o mínimo, um cara meio decepcionado com a vida. Esse é um mérito, ou melhor, um “semi-mérito” do autor, já que coloca o filósofo como uma pessoa bastante ácida, bastante difícil de ser tratada.
O livro vale também porque ele coloca algumas citações dos livros-base dele, como A Gaia Ciência e Humano, Demasiado Humano. Além de, constantemente, fazer referência ao livro Assim falou Zaratustra.
Até um pouco depois da metade do livro, é legal, vai bem. Nietzsche é totalmente adverso, não quer saber de nada de conversinha furada com o doutor. Mas vai chegando num ponto, que ele começa a ir amaciando, ficando fofinho com o Doutor Breuer… Cara, isso dá um ódio sem tamanho. Chega uma hora, que estão dando um rolê num cemitério e de repente o nosso grande filósofo pessimista, que não queria saber de nada, dá o bracinho pro doutor e passam a andar de braços dados. (Ok, isso na época em que a história se passa, e o frio desgraçado que é na Alemanha no inverno, até amenizam um pouco, mas não dá pra perdoar mesmo assim)
Enfim, como era de se esperar, até mesmo pelo título, o doutor dobra o filósofo. Este chora igual a menininha que perdeu um brinquedo e depois fica tudo bem.

Claro que estou esculhambando um pouco, o livro é válido. Tem citações de Nietzsche, o que só por isso já vale e muito. Quem não tem gabarito pra ler O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, pode ler esse. Aliás, comecem com esse! É legal ver possíveis diálogos do filósofo, vê-lo, de certa forma, vivo, como se fosse possível atingi-lo. Gosto da seguinte frase: “o orvalho cai mais abundantemente quando a noite é mais silente”. Dispensa comentários. E, pra finalizar, gostaria de propor a seguinte questão: Até que ponto há aplicação real da filosofia de FN e quanto é possível ser aplicada à vida cotidiana?

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